domingo, 14 de agosto de 2011

melhor dos dois.



Fermina Daza estava na cozinha provando a sopa para o jantar, quando ouviu o grito de horror de Digna Pardo e o alvoroço da criadagem da casa e depois da vizinhança. Atirou a colher de pau e tratou de correr como pôde com o peso invencível da idade, gritando feito uma louca sem saber ainda o que acontecia debaixo da copa da mangueira e o coração lhe estourou em estilhaços quando viu seu homem estirado de costas no lodo, já morto em vida, mas resistindo um último minuto à chicotada da morte para que ela sua mulher tivesse tempo de chegar. Chegou a reconhecê-la no tumulto através das lágrimas da dor que jamais se repetiria de morrer sem ela, e a olhou pela última vez para todo o sempre com os mais luminosos, mais tristes e mais agradecidos olhos que ela jamais vira no rosto dele em meio século de vida em comum, e ainda conseguiu dizer-lhe o último alento:
- Só Deus sabe quanto amei você.

(...)

Não lhe tinha sido fácil recuperar esse domínio a partir do momento em que ouviu o grito de Digna Pardo no quintal e encontrou o ancião de sua vida agonizando no lodo. Sua primeira reação foi de esperança porque ele tinha os olhos abertos e um brilho de luz radiante que ela jamais lhe vira nas pupilas. Rogou a Deus que lhe concedesse ao menos um instante para que ele não partisse sem saber quanto o amara por cima das dúvidas de ambos e sentiu a premência irresistível de começar a vida com ele outra vez desde o começo para que dissessem tudo que tinham ficado sem dizer e fizessem bem qualquer coisa que tivessem feito mal no passado. Mas teve que render-se à intransigência da morte.


O amor nos tempos do cólera, Gabriel García Márquez.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Férias.

Às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer. (Caio F.)

Além do horizonte deve ter.

Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas. (TM)

E talvez nem seja preciso coragem. Talvez seja necessário apenas um breve impulso, como aquele que me fazia mergulhar de repente na água gelada do açude da fazenda. E eu nem era corajoso por fazer isso, apenas tinha esquecido por um instante de mim, de meu corpo. (Caio F.)

E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro.
...

(...) E então serás maravilhoso quanto me tiveres cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo. (O Pequeno Príncipe)

Sustente-se.

Que bom que todo dia fosse sempre assim.

E nos esquecemos da cor que tinha o céu azul.

Borboleta que fugiu de casa. (TM)

Flor parece a gente, pois somos sementes do que ainda virá. (TM)

Você consegue sentir o verde?

De cima da pedra mais alta.