quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Emi-chan


A Emi é uma bagunceira. Ela chegou aqui em casa pequenininha e em poucas semanas ela já tava enorme. E detalhe: ela vai crescer mais.
Ela está sempre com fome, te olha sempre como se você fosse comida e quando você tá comendo alguma coisa, qualquer coisa, ela fica te olhando e faz uma coisa engraçada com a boca, como se tivesse salivando. Hm, e ela também tá sempre comendo, o tempo todo. Comendo tudo, qualquer coisa. Pepino ela só come com molho shoyu, mas pedaço de madeira pode ser de qualquer jeito. A perna da cadeira também.
Ela adora o lixo do banheiro. A área dos fundos amanhece sempre suja, cheia de lixo que ela traz do quintal. Nenhum tapete fica limpo mais de dois dias. Ela destrói a cama dela e qualquer coisa que consiga mastigar.
É super ciumenta e não é lá uma boa "cão de guarda". E não cheira à água de colônia, é bem verdade.
Só que é uma graça vê-la dando a pata, a outra, deitando, deitando a cabeça e olhando com aquela cara de "me dá uma moedinha?". É mais fofo ainda vê-la dando a pata mesmo sem você pedir, só porque ela quer o que você tá comendo, mesmo. E quando você pede uma pata e ela te dá logo as duas, que é pra acabar com isso logo, né? Mas sabe, eu adoro dividir doce com ela, ou qualquer coisa que eu estiver comendo, escondido da Mi, é claro, ela diz que dá cárie. Realmente, mas eu não consigo resistir aos pedidos dela! Também adoro trazê-la pra dormir na minha cama. Só que isso anda mais difícil, minha mãe proibiu pra valer. E ainda mais agora que ela cresceu tanto e não dá pra escondê-la em lugar nenhum.
Esses dias, entrei no banheiro, tava triste, e ela veio comigo. Agachei e chorei ali. Ela ficou me olhando de um jeito.. não como se eu fosse comida, nem com pena, foi tipo: que foi que tá triste? Não tá vendo que eu tô aqui? Foi a cena mais linda do dia. E de muitos outros. Ela veio, me deu um monte de lambidas, que eu acho que são beijos, e sorriu pra mim. Ela me falou que as coisas iriam dar certo. E disse: "cara, você pode contar comigo".
Esse é um dos fatos que comprovam a tese sobre os animais serem bem melhores que os seres humanos. É meio injusto, talvez, essa nossa mania de compararmos os animais com os homens. Ninguém merece, né? Mas parafraseando alguém que conheço e admiro, deveras, eu não tenho culpa, eu não tenho culpa, se meu cachorro parece humano, e só não o é, porque é cachorro. Entende? A Emi disfarça pra tentar nos enganar e subir na cama. Isso é cachorro? Peeen, não, isso é humano. A gente briga com ela, e depois ela volta sorrindo, nem lembra mais que levou uma bronca. Isso é humano? Não. Isso é cachorro.
Naquela hora eu agradeci por ela estar ali, por estar comigo e ter dito isso. Só isso. Era só o que eu precisava. E vi que ela vale muito. E nem lembrei, ou melhor, nem liguei pras muitas meias minhas que ela já mastigou, pros meus dois pares de chinelos que ela já destruiu, nem pras tantas vezes que ela já quase me derrubou. É, a Emi é uma grande companheira.




Escrito faz tempo. Mas algumas coisas não mudam. Ela ainda só come pepinos com shoyu e realmente é uma grande companheira.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sorte

Eu estava voltando do trabalho e encontrei a mãe de um aluno. Na verdade, eu não tinha certeza que ela era realmente a mãe de um aluno, mas perguntei mesmo assim.
- Você é mãe do Fernando, não é?
- Sim, sou.
- Ah sim, eu sou professora dele.
- Ah é? E como ele tá lá?
E eu lembro. Não tinha mais de uma hora que eu havia falado pra ele se sentar no seu lugar umas mil vezes e ele simplesmente não me ouvia. Na verdade, ele não era sempre assim. Pelo contrário, eu o achava muito inteligente, escrevia bem em comparação aos outros alunos e sempre participava das atividades. Só que eu lembrei de um dia que a mãe dele havia ido à escola, o chamado e os dois foram conversar com a coordenadora. Ao passar de uma sala pra outra vi os dois chorando. E ouvi a mãe dizendo algo como "eu sei que é pouco, mas é o que eu posso dar pra ele no momento".
Nunca pensei que poderia pensar tanta coisa em tão pouco tempo, porque não demorei nem dois segundos pra responder.
- Ele é ótimo, é um menino muito inteligente, você tem sorte.
- Nossa, que ótimo, porque ultimamente ele anda dando tanto trabalho. Uma coisa boa pelo menos uma vez.
Nós duas rimos e nos despedimos.
Queria poder descrever como me senti, mas creio que não seja o bastante.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Talvez, a pior coisa que exista não seja a frustração.
Talvez seja lutar por um sonho que só você vê.
Se bem que sonhar sozinho não deixa de ser um tipo de frustração.


Mas parafraseando Octopus, ama a vida e segue.