sábado, 30 de outubro de 2010

Encontro marcado


Hoje eu conheci o Daniel Galera. O Daniel Galera é um escritor paulista, mas mora em Porto Alegre e tem sotaque de lá, o que aumenta minha simpatia por ele. Na verdade, eu não o conheci, eu o vi e ouvi durante a análise do livro dele, Mãos de cavalo, que é indicado como obra literária do processo seletivo 2011-1 da Universidade Federal de Goiás, na qual eu quero muito estar no ano que vem. De verdade.
Enfim, voltando ao meu encontro com o Galera, logo que cheguei, fui me sentar na sétima fileira (eu queria muito estar na primeira, muito mesmo, mas eu moro longe do lugar, o que me fez ficar frustrada por chegar depois de tanta gente) e o pessoal da organização ficou um bom tempo passando som, testando os computadores e tal, e eis que de repente, meu colega me mostra o cara na primeira fila. Sim, Daniel Galera sentado na primeira fila, a seis cadeiras à minha frente. Sentado na plateia, assim, que nem gente mesmo.
A verdade é que eu sempre penso que o autor de um livro é sempre alguém de outro mundo, que faz coisas completamente diferentes que você, pobre mortal, faz. Se é que ele está vivo. No entanto, lá estava ele. E eu, que já vinha há uma semana mais ou menos dizendo que eu precisava que ele autografasse meu livro e ensaiando uma pá de coisas para dizer a ele, fui até la. Depois de me levantar, me sentar, re-levantar e re-sentar uma porção de vezes, é claro. Porque um monte de coisas se passaram na minha cabeça. Coisas do tipo, "não é ele, imagina", ou "e se ele se recusar a autografar" (porque, erroneamente, eu o havia achado meio.. exibido, eu diria - apesar de achar que essa ainda não é a palavra certa -, quando vi seu site), "se ele virar e me der um murro", sei lá. Eu tenho uma mente fértil mesmo.
Mas apesar de todas essas ideias, eu fui até lá. Oi, eu disse, Oi, ele disse. E ele disse isso e sorriu. Daí eu vi que estava tudo bem, apesar disso não ter sido o suficiente pra que eu não tremesse toda na hora de entregar o livro e a caneta. Você pode autografar meu livro? Posso. E outro sorriso. Como é seu nome? Eu soletro, é claro, e ele escreve "para (com letra minúscula mesmo, o que eu, particularmente, acho o máximo) a Mayumi (A Mayumi, não é qualquer Mayumi, é para mim), um abraço do Daniel Galera. Goiânia, 30.10.10". Sim, ele coloca até a data. Obrigada. Obrigado você. Seu livro é muito bom. Sim, eu digo isso. O que é verdade, mas eu tinha que dizer logo isso? Isso todo mundo diz pra ele. Eu precisava dizer algo diferente, o que eu tinha ensaiado, cara! Mas não, eu digo isso. E ele, com outro sorriso, Obrigado. E eu volto pro meu lugar, meio grogue ainda, e ainda bem que tinha minha irmã pra dizer Nós estamos sentadas aqui nessa fileira, ó.
Depois, a professora começa o seminário e diz que vão abrir um tempo pra sessão de autógrafos. Que ótimo, só eu fui até ele, de intrometida que eu sou. Mas depois, na hora da sessão de autógrafos, quando eu vejo a fila enorme lá, me sinto feliz por ter ido até lá e privilegiada por ter sido a primeira a receber suas palavras de seu punho esquerdo no meu livro, que eu comprei especialmente pra isso, confesso, com o dinheiro do meu primeiro salário, o que foi muito especial pra mim.
Mas o que eu queria realmente ter dito a ele é que além do seu livro ser ótimo, é que ele é muito bom no que faz. E eu acho que essa é a maior realização que alguém pode ter, ser bom no que faz.
Bem, nesse post, minha sincera e grande admiração por um escritor muito bom, desses que escrevem com uma coisa muito bonita, que emociona de verdade, e que se tem nome, é alma. Ah, e além disso é de carne e osso. E ele foi ao banheiro. Segundo ele, uma necessidade fisiológica inadiável ocasionada por excesso de água e estresse, se me lembro bem de como ele disse. A camisa dele tava toda molhada de suor, deve ter estranhado o calor de Goiânia. Ou talvez ele estivesse nervoso, ele disse que estava, mas não sei se a gente pode acreditar em ficcionista.

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